sábado, 8 de novembro de 2008

Ainda não foi dessa vez

De vez em quando eu topo com esse meu amigo Paulo no ônibus, e nós vamos juntos o resto do caminho até o colégio. Ontem foi um dia desses, e ficamos conversando sobre assuntos variados (ele falou de Sandman, eu, Angela Gutiérrez), até que, na penúltima esquina antes da escola, aparece um cara de bicicleta, que desce da bicicleta, fica na nossa frente e coloca a mão nas calças. Na hora eu pensei: Ah, meu deus, é um tarado ou ele vai sacar um revólver e assaltar a gente? E, como se eu devesse seguir a carreira de vidente, ele sacou um revólver e falou:
– Isso é um assalto!
Pediu que Paulo desse o celular pra ele, e Paulo deu, ainda que pedindo que não ficasse com ele, porque era um celular ruim!, ou ao menos devolvesse o chip. O cara nem quis saber, guardou o celular e a .38 (não, eu não manjo de armas, mas Paulo ficou estranhamente feliz em ter o primeiro assalto a mão armada com uma .38) e subiu na bicicleta de novo.
Como eu espero que dê para perceber nessa curta narrativa, ele me ignorou. Tanto que, depois de chegarmos ao colégio e começarmos a espalhar a história, eu só ousei dizer “O Paulo foi assaltado e eu tava do lado!”. Qualé, essa semana o mundo deu para ser indiferente a mim e me magoar, foi? Mas como ele era um... assaltante!!!!, me conformei.
Enfim: quando o cara tava passando na nossa frente, para pegar a rua do colégio só que no sentido contrário ao nosso, entregou o celular de volta.
– Toma, quero mais não!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Relaxamento e constrangimento

Eu estava pensando que o dia de hoje foi tão legal que caberia perfeitamente em quadrinhos, talvez até duas páginas, só que daqui que eu faça o roteiro, desenhe, cubra e ainda vá ao trabalho de mamãe para poder escanear, já perdi a vontade de me expor mundo afora. Então o jeito é escrever mesmo e não me render a essa sociedade visual!
Primeiro: tive minha primeira vez de acupuntura e foi tão bom! Na verdade não foi só acupuntura, teve um shiatsu e uma massagem terapêutica também, para não deixar passar em branco. Relaxei, devaneei e me deixei ser furada. Algumas agulhinhas deixaram marcas, e a do pulso deixou uma dorzinha, mas moça falou que, apesar de de fato esse ponto ser meio sensível, pode desencadear um monte de coisa legal, tipo estabilidade emocional. E o que é que eu mais preciso a 17 dias do vestibular?
Voltei pra casa de ônibus e, só depois de um banho até demorado, saí de novo, dessa vez para a palestra da autora de um dos meus livros favoritos da lista do vestibular local: O Mundo de Flora e Angela Gutiérrez, digo, o contrário! (Aqui vale acrescentar que vi passar vinte, 20, VINTE ônibus antes do meu chegar na parada. A vida é uma comédia!)
E foi tudo tão maravilhoso! A autora é ótima, deve ter a idade de mamãe, mas é super jovial, moderna, viva e provavelmente um mutirão de adjetivos ainda. Contou um monte de coisa legal, sobre a criação do livro, vivências dela, abriu parênteses, e eu poderia até dizer que 80% do monólogo foi de entrelinhas!
Bacana mesmo foi quando ela começou dizendo que sempre leu muito desde nova (e o que não é nenhuma supresa, porque o livro é uma pseudo-autobiografia, sei lá como definir) mas que não escrevia muito. (E abro um parêntese aqui como o que ela abriu e sorriu, quando se lembrou das primeiras histórias que escreveu, quando estudava no mesmo colégio que eu e o professor sugeriu que todos os alunos escrevessem um livro de dez capítulos! Riu, disse que tinha se esquecido disso, e que conversa maravilhosa que tava tendo ali, se lembrando de coisas há muito embaçadas, e fazendo um monte de inconfidências!) Aí continuou que, na faculdade, pediram-lhe que escrevesse um poema e um conto, pro dia seguinte! E na verdade nem usaram o verbo “escrever”, porque acharam que ela já tinha bastante material. Pois bem! Ela escreveu e deu para que publicassem numa revista. Nunca comprou o exemplar, por pura vergonha! Disse que, lendo como lia, tinha ficado com padrões muito altos, e achava tudo o que escrevia medíocre, ruim, e adivinha quem só se identificou? Ahá! Exceto pela parte do “lendo como lia”, porque eu claramente não li nada ainda.
E no final teve filinha para ela autografar livros, e é claro que eu estava lá com o meu exemplar! Ela escreveu meu nome, assinou, tudo muito impessoal, com direito a “cordialmente”, e fiquei levemente magoada. Perfeitamente compreensível, eu sei, me acho uma pessoa madura, tá!, mas não posso nem negar que esperava que... vergonha de contar, então: censurado.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Lixão a mar aberto

Eu sei que nós estamos destruindo o mundo porque eu vivo no mundo diariamente e não tem como não notar todas as mínimas coisas que eventualmente viram bolas de neve (mesmo no Brasil - haha, como sou engraçada!). Mapa do entulho do PacíficoMas eu ainda sou jovem e minhas proporções são pequenas, então eu só pensava na Amazônia, nas avassaladoras plantações de soja, e, por que não?, no chão da minha sala de aula. Bem, é claro que o problema é maior do que isso, nós estamos falando de um planeta inteiro! Pois acabei de ficar sabendo que existe um lixão em alto mar do tamanho do Texas (como eu não estudo a geografia dos EUA, não faço idéia direito de quanto é isso, mas, certamente, é grande o suficiente) no oceano Pacífico, que vai se acumulando e crescendo com a ajuda das correntes marinhas.
E é basicamente isso que ainda não deixou meu queixo voltar ao lugar: um lixão no oceano! Do tamanho do Texas! De plástico que nós ignoramos!! E que os animais comem, porque ele vai se degradando e se transformando em partículas minúculas até parecer zooplâncton, o qual, opaopaopa!, cai na cadeia alimentar e volta pra gente, uma vingancinha da Mãe Natureza.
Peixe de plásticoO mar, será?O pior é que de concreto eu não posso fazer nada, só abrir mais sites e olhar mais imagens. E ver esse vídeo.