As meninas da nossa viagem a Minas, por outro lado, não conseguiram passar sem 6000 fotos de todas as paisagens e todas as pessoas posando para todas as lentes. Ontem, uma noite para relembrar: uma seleção de 1400 fotos, uma garrafa de cachaça, queijos e pães e um caldinho de abóbora para acionar o inconsciente.
Em algum momento eu entreouvi mamãe dizendo que uma teoria da equipe médica da van sugeria que o mal que passei se devia ao emocional. Na hora eu soltei a melhor das minhas faltas de ar, mas como eu realmente adoro dar significados profundos a todo tipo de tema, matutei.
Faz todo o sentido.
Eu estou agonizando com essa viagem.
Se fico sozinha em casa, entro num estado vegetativo de depressão e solidão do qual mal consigo sair. A minha sorte é a programação diária intensa de curtição e despedida dos amigos e da cidade. Só tenho mais dez dias em Fortaleza, e quando vou fechar a porta da cozinha para aproveitar a vida além dessas paredes, olho para a iluminação fraca e amarelada que eu conheço tão bem desde meus dez anos e bate uma saudade. Nonó ainda está doente, recolocamos o cone e fica num chamego só, tristinha e desequilibrada. Tetê ficou balofa e maravilhosa, fica miando linda chamando para ficar vendo ela comer. Rosa fica dizendo que tem que me ensinar a fazer baião-de-dois, cuscuz e tapioca. Celina me perguntou se, depois que eu viajasse para a França, eu ia voltar nos fins de semana. Eu disse que não. Ela perguntou: "Ah, você vai voltar só aos sábados, né?" Eu disse que não. Ela perguntou se eu ia voltar nas férias. Eu disse que não sabia.
O que me aterroriza nas viagens de carro em que eu e mamãe ficamos em silêncio, ou nos momentos no sofá em que a TV não está ocupando meu pensamento satisfatoriamente é: eu tenho medo da solidão. Ficar sozinha em casa é ok, ficar sozinha no mundo é solidão. Quanto tempo vai demorar até eu transformar minha futura residência em um lar? Eu tenho medo dessas coisas.
Feri minha córnea e estou passando um antibiótico no olho há algum tempo, e, embora ele embote minha vista, não fico impedida de ver a vida maravilhosa e satisfatória que eu construí aqui em Fortaleza. Eu me pergunto: por que eu fui inventar isso? E eu me respondo: porque eu estou pronta, mas tenho direito a uma colher de nervosismo.
6 comentários:
E um viva as momentos de colheradas e mais colheradas de nervosismo, pois são eles que nos fazem pensar e refletir sobre o momento de fato. Do contrario você estaria passando despercebida por essa experiência, sem aprender muito.
Espero que consiga aproveitar mais os dias e ter melhoras. E ainda assim, falar sobre cada um dos itens aqui no blog, adoro a forma que escreve. (:
pra jovem é tudo sempre uma aventura ;D!!!!! aproveite bem menina oras, o nervosismo passa quando tu realizar que está tendo uma experiência única beijos :**** (morri rindo do texto)
ps: nao tenha medo da solidão, ela pode ser uma bela companhia =)
Nunca vivi algo parecido, Jana, mas o que eu acho é que essas mudançonas na vida da gente vem cheias de umas barras difíceis de segurar, mas que a gente aguenta, de um jeito ou de outro, e depois que passa por isso se torna uma outra pessoa. Você vai viver coisas incríveis e maravilhosas por lá, e eu sei que vai saber aproveitar isso como poucos. Coragem, moça, e au revoir!
ps.: posso te pedir um postal da França? É que eu sou louca com postais e adoraria receber um teu ;)
Estive lendo suas outras postagens... Você e sua mãe parecem eu e a minha. Elas são lindas, né?
Gostei muito daqui, parabéns.
Hoje vi o cd que você me mandou de aniversário, tomei um susto quando vi a data e reparei quanto tempo já faz. Aí resolvi ver como você estava. Ah, Jana, espero que teu intercâmbio seja o máximo e que a solidão do mundo te traga um monte de coisas maravilhosas! :)
sou da teoria de que as coisas só acontecem quando a gente tá preparada pra receber (: então se está acontecendo, é o momento certo, mesmo que você fique ansiosa, ou com medo! no fim tudo dá certo, né??
um beijo!
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