sábado, 12 de janeiro de 2008

Minha relação com trocadores de ônibus

Quanto mais eu penso, mais eu percebo: minha relação com os ônibus é uma relação de amor e ódio!
Dar trinta centavos a mais para facilitar o troco, oferecer o colo como assento para os livros de alguém, dizer "Obrigada!" a um motorista repetido são de fato pequenas coisas que alegram o meu dia, mas o número de infelicidades e situações tristes que me acontecem neles é bem razoável.
Para começar, minha relação com trocadores de ônibus não é nada boa. (Nem com motoristas nem com passageiros, mas vamos relevar essa parte...)

Certa vez estava voltando da minha aula de música e peguei o ônibus de costume. Entreguei a carteirinha de estudante e o dinheiro (um real, contado) à trocadora e me adiantei na roleta. Deixa que nossa querida coadjuvante não estava nos seus melhores dias e deixou que eu rodasse a roleta sem passar a carteirinha! O sistema automaticamente gravou que a passagem era uma inteira e ela começou a olhar para mim com uma cara de "me arranje mais 60 centavos!", o que certamente era um problema, já que a única coisa que eu tinha nos bolsos era mais 20 centavos, troco da passagem de ida, e talvez alguma embalagem de chiclete Big Big. Depois de um olhar nem um pouco agradável da parte dela, me sentei. Só nos restava esperar que um novo passageiro entrasse e pagasse inteira.
Felizmente, logo na outra parada duas pessoas apareceram na porta e meu rosto se iluminou!
- Inteira? (Trocadora, muito mal humorada)
- Hã... Pass Card.
- Ah, então sentem aí porque essa garotinha aqui - disse e apontou para mim com o dedão horrível dela - girou a roleta antes que eu pudesse passar a carteirinha dela e agora o sistema cadastrou uma inteira! Eu é que não vou tirar o dinheiro do meu bolso, então vocês vão ter que esperar alguém pagar uma inteira!
As duas pessoas se sentaram meio confusas, mas eu não pude deixar de sentir uma fusilada do olhar delas em mim, e só consegui me encolher mais e mais.
Na outra parada, outra pessoa entrou...
- Inteira?
- Ah, não... Meia... Por qu-
- Senta aí então, que essa garota aqui mexeu a roleta antes de eu passar a carteirinha de estudante e agora o sistema cadastrou uma inteira! Vocês vão ter que esperar alguém pagar essa inteira!
- Hum... ok.
E novamente aquela fusilada...
Na outra parada, três pessoas. Nenhuma inteira.
- Pois o jeito é vocês se sentarem aí, porque essa garotinha bem aqui girou a roleta antes que eu pudesse passar a carteirinha dela e agora ficou cadastrada uma inteira! Só vai passar quem pagar inteira!
O percurso seguiu desse jeito... Curiosamente só entravam pessoas com Pass Card ou que tinham carteirinhas, nada de inteira, nada de alma bondosa que evitasse olhar minhas costas.
Depois de três quartos do caminho foi que o messias subiu.
- Inteira?
- ...Sim...
Deu o dinheiro à trocadora, passou na roleta, e de repente todo mundo atacou! E era tanta gente na parte de trás daquele ônibus esperando a inteira que quando eu fui passar para a frente (por último, é claro), quase não havia cadeiras vagas! Mas eu já estava do tamanho de uma formiga, então facilmente arranjei um lugar para ficar.

Outra situação não tão vergonhosa mas assustadora aconteceu num dia em que minha mãe não tinha troco para o ônibus e me deu duas notas de 10 reais, para a semana toda.
Fiz o procedimento padrão de subida de ônibus e me virei para tirar o dinheiro da mochila. Entreguei a carteirinha ao trocador e uma das notas de 10 reais, e por fim me virei de novo para guardar a outra nota de dez.
Quando voltei minha atenção para o trocador, ele estava com as mãos vazias e um olhar distante.
- Hã?
Ele olhou em volta, mexeu as mãos e me olhou de novo com o olhar distante.
- Como assim?! VOOU?!
Ele olhou para baixo e para trás, sempre lentamente e com aquele olhar irritante.
- NÃO! Meu dinheiro voou?!?! Como assim?! Não! Não!
Era o meu dinheiro da semana!!! Como assim?! DEZ REAIS! Não posso perder tudo isso assim, de moleza!!!
Ele olhou para baixo conseguindo ser ainda mais insuportável e num movimento rápido tirou uma nota de dez do bolso e me entregou com um sorriso odioso.

E infelizmente as histórias não param por aí... A quantidade de socos acidentais que levo não é pequena, e até um cafuné eu já consegui.

P.S.: Até poucas horas atrás eu jurava que num certo trecho da música Um Mundo Ideal, de Aladdin, ele cantasse "que a na-natureza", desse jeito, repetindo a sílaba. Percebendo que não fazia sentido algum e era horrível, analisei a situação e descobri que na verdade é "que há na natureza". Vergonhoso.
P.P.S.: OK, EU MENTI. Google me ajudou na descoberta.

4 comentários:

Luh disse...

tadiiiiiiinha. ainda bem que nunca tive problemas com cobradores de ônibus.
e, meu bem, aqui em slz é chique o sistema. as carteiras de estudantes são tipo cartão eletrônico que passa na frente de um aparelho pra descontar a passagem, h0h0.
mas eu nunca tirei a minha. haha.
beeeijo.

gab disse...

pois é, aqui no rio também é de passar o cartaozinho na frente do aparelho e etc. eu nao tenho o minimo costume de andar de onibus e nesse ano onibus será praticamente o divino! percebi que voce é meio experiente.. qualquer coisa posso tirar umas duvidas né? rs adoro seus posts, muito gostosos de ler. desculpa o comentário gigante rs :D

Irena disse...

Via de regra a pessoas em Manaus só andam de ônibus quando querem perder alguma coisa, afinal você SEMPRE irá ser assaltado!
Por isso que todas as minhas atividades ficam perto da minha casa, assim dá pra ir a pé.

E sobre o Alladin: HAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHA também passei anos achando que era "na-naturaza" ao invés de "há na natureza", por isso que eu assisto esses filmes em inglês aí não tem esses problemas!

Nane disse...

Eu também passo por essas experiências "diferentes"... A que mais odeio é a mania deles de sempre me roubarem cinco centavos...=(
Já passei um que não passou minha carteira e eu passei a roleta e ele me obrigou a pagar inteira (in)felizmente eu tinha...=)
Beijo
Ps.: Também sou de Fortaleza o//