sábado, 30 de abril de 2011

Ansiedade, 20/04 e A Festa do Apocalipse

ou Como apesar de todos os meus medos eu amei esse aniversário
ou Desculpa amigos lindos que me aguentaram maluca até altas horas
ou Obrigada amigos lindos que endoidaram comigo na minha festa pagã

A Terra tem mais de 6 bilhões de habitantes e pode ter certeza de que você é só mais um nessa multidão. Por mais que você ganhe o prêmio Nobel, ou que a foto da sua formatura esteja na parede da sua faculdade, existem mais outros 6 bilhões de pessoas que, assim como você, têm braço, perna, respiram e comem.
O dia do aniversário é o único dia que é só seu. Naquele dia, você é especial. Se o trocador do ônibus olhar sua carteirinha de estudante com um pouco de carinho, ele te dará parabéns, seus amigos te mandam SMSs, sua mãe te acorda com um abraço.
O problema reside em: eu fico querendo que seja o dia mais feliz do ano e isso não depende só de mim. Depende do que as outras pessoas estão dispostas a fazer por mim, mas será que eu posso ficar parada apenas esperando que os outros tornem o meu dia especial? Quando você já fez mais de dez aniversários, você percebe que não. Nos primeiros é simples porque, em teoria, você ainda é incapaz de organizar uma festa, de propôr brincadeiras, e suas tias, o palhaço, a produtora do buffet se encarregam disso. Talvez um ano você consiga uma festa surpresa, no outro ganhe o presente mais inesperado de todos, com o cartão mais sentimental, brega e belo, mas e no ano seguinte?
Ano após ano eu passo o dia 20 de abril em alvoroço, coração na boca, esperando que algo surpreendente me aconteça para que não seja só mais um dia no meu calendário. Nos dias anteriores, eu conto para todo, todotodotodotodo mundo que eu vou fazer aniversário, sem querer me decepcionar com algum esquecimento. No dia, eu fico de bico calado, para receber os resultados - sempre felizes. Apesar de tudo, eu gosto de espotaneidade, e quero que as pessoas se lembrem simplesmente porque gostam de mim.
Em 2009, marquei um piquenique e fiz do meu aniversário de 18 anos uma despedida da infância. Foi maravilhoso, apesar de toda uma enorme ameaça de chuva e dos inúmeros gatos no parque (que na verdade só coroaram a comemoração com sua doçura). Em 2010 não foi tão doce, estava cheia de expectativas que não se cumpriram, mas só tenho a agradecer a mamãe, que fez da festa na praia um dos momentos mais repletos de satisfação da minha vida. Eu passei semanas teimando que queria uma fogueira, lutamos atrás de uma barraca de praia que aceitasse atear fogo correndo o maior risco de causar um incêndio em todas as barracas (de palha!), e por fim conseguimos que um funcionário juntasse alguns gravetos e acendesse um foguinho. Mas mamãe tinha tido a ideia do século que encheu meu coração de alegria: pediu a todos que pegassem dois pedaços de papel e escrevessem uma virtude minha em um deles e um defeito no outro. Formamos uma roda e todos leram seus papéis. O do defeito, joga pra fogueira! O da virtude eu guardei com carinho no coração e numa caixa.
Em 2011, para comemorar meu último aniversário no Brasil (por algum tempo), eu estava decidida a fazer o máximo para ter lembranças maravilhosas. Para o dia 20, levei o melhor brownie já feito por mim e uma vela da Ariel para a faculdade. Cantamos parabéns na salinha do PET, eu arrumei as coisas, acendi a vela e soltei um: "Pronto, agora vocês podem cantar!" (Sou mandona!!!) Devoramos e estava uma delícia incomparável a qualquer outra coisa que eu tenha cozinhado na vida. Juro que não era só pela especialidade da data, porque todo mundo amou também. Voltei para casa a pé conversando sobre a vida com os meninos, algo que eu amo fazer, e à noite teve pizza com a família. Foi muito light e lindo. Meu priminhos meigos e minis fizeram big cartões repletos de fofuras e ganhei presentes, o que é sempre bom. Conversei sobre a minha prova oral do francês (uma excelente história que não pode ser publicada online), meu primo que quer virar piloto de helicóptero, homens, coisinhas de menina, assuntos lindos. Cheguei em casa em paz e dormi contentíssima porque não tinha aula no dia seguinte. (Fazer aniversário em véspera de feriado: eu recomendo.)
Sexta-feira (22) foi a festa mais maluca que eu poderia imaginar. A festa mais maluca que eu poderia imaginar. Na sexta-feira da paixão. Desculpa, mas foi. Eu marquei a data e nem percebi. A ideia era: meu pai, que veio de Salvador só para ficar comigo breves instantes antes que eu me mandasse para o exterior, pegava o avião às 14h da sexta, então só nessa data eu estaria livre para me divertir. Na sexta-feira seguinte (ontem) foi prova de Eletromagnetismo, então a semana pós-aniversário é semana-eletromag, então era bom ter o domingo livre para estudar loucamente. Assim, o sábado fica para a ressaca da festa, que fica pra sexta.
No sábado anterior eu fui numa loja de festas, e ajudei mamãe a estourar o cartão dela. Eu nunca consegui me despedir da infância no aniversário de 18 anos, e fiz a festa naquele paraíso de besteiras lindas. Sexta-feira minha bff chegou cedinho e me ajudou a:

fazer lembrancinhas (que chamamos carinhosamente de Kit Ressaca),
encher todas de ar para parecer que estavam cheias de coisa,
fazer cachorrinhos (a marca de qualquer festa na minha casa, incluindo os aniversários das gatas),
encher uma centena de balões (pode confiar, estava escrito na embalagem),
pregar metade deles no teto,
colocar as luzinhas piscantes de Natal pela casa,
colocar chantilly no bolo,
arrumar a playlist da night e
me maquiar (com a sombra que ela mesma me deu de presente).

A casa foi toda modificada para caber adolescentes dançantes (acabou sendo para caber a aniversariante dançante, mas amo todos que cederam aos puxões de "Dança comiiiiiiiiigo!"), velas foram posicionadas para finalizar a iluminação da casa e uma mesa foi posta ao lado do sofá com canetinhas, papéis e envelopes, à espera de pessoas amantes de Jana e seus cartões. No corredor de entrada, coloquei nossos calçados para incentivar todo mundo a também tirar os seus. Na parede do corredor de entrada, um cartaz repleto de bigodes, com o título: Escolha o seu bigode! O quarto da minha mãe, território proibido. A mesa redonda, com bolo, brownie e infinitas aranhinhas. Na cozinha, os drinks, com o cardápio feito verbalmente por mim: A Jana É Linda (vodca e fanta), A Jana É Maravilhosa (red fruits e gelo), etc, etc. (Não tem et coetera não, gente, eu fui impedida de continuar com minha lindeza pelos convidados e suas risadas de dó de mim.)
Foi a minha festa dos sonhos. A minha festa dos sonhos. Eu estava com tanto, tantotantotanto medo de ficar de coração partido, mas me diverti tanto, pulei até de madrugada, dancei todas as músicas que amo, chacoalhei o cabelo pra lá e pra cá, como eu jamais faria fora de casa, comi salgadinho, bombom, virei copos, mostrei meus livros, cantei errado, fiz tudo o que eu faço e me deixa feliz. E eu fiquei muito louca, com minha felicidade aumentada exponencialmente. Antes de tudo, eu estava com uma pilha de pessoas que amo no meu lar, que é, o quê?, o lugar que eu mais amo no mundo. Agradeço a quem amarrou meu cabelo com a fita dos balões, porque aliviou o calor e o black power. Agradeço a todos os cartões lindos de morrer com palavras pra guardar nas entranhas do meu miocárdio. Agradeço a todos que fizeram as filmagens, que, apesar de terem me deixado levemente fula na hora (voyeur! fecha! chega!), caem bem na hora da nostalgia (já assisti tudo duas vezesssss). No final ainda teve cantoria no karaokê. O parabéns só cantamos meia-noite, com os sobreviventes da festa, eu que "não contava [como sobrevivente]", só porque ainda estava muito felizzzzzzzz, muitas estrelinhas coloridas planando em pleno ar e dinheirinhos lindos que tiveram de ser jogados com a mão (o negócio não estourou!) e, fechando com chave de ouro, brilhantes e as cinzas do seu pior inimigo, briga de bolo. Briga. De. Bolo. Quando eu penso nas coisas que fazem de uma festa inesquecível, eu incluo briga de bolo. Mas eu sou racional, eu faço engenharia, eu estava na minha casa, era meu aniversário de 20 anos (não 8) e jamais considerei uma briga de bolo como integrante do carpádio de diversões da noite. De uma forma ou de outra, eu comecei essa briga. O chão, que já tinha estrelas coloridas, dinheirinhos, papéis de bombom e muitas cartas de baralho, teve que aguentar uma chuva de bolo.
Não tente imaginar a casa às cinco horas da manhã. Não tente. Nas filmagens, o momento em que minha prima volta para buscar a chave do carro e sair rapidinho é único. Porque ela não precisou imaginar a casa, ela viu. No vídeo, Carol diz: "Não teve briga de bolo. A Janaína não começou uma briga de bolo." E vocês ficam com esse sentimento.
As pessoas foram indo embora, outras foram ficando, uma me ajudou a limpar (MUITO OBRIGADA, LEONARDO!), e a casa estava medianamente apresentável quando mamãe chegou de manhãzinha, para pegar umas coisas e logo sair.
O sábado foi maravilhoso. Pra começar, eu mal consegui dormir, tão contente e satisfeita e felizzzz que eu tava, fiquei me revirando e virando no sofá e assistindo clipes de várias músicas que tocaram na noite, depois Sábado Animado, depois Edward Mãos-de-tesoura (mas desse só o final, porque as pessoas foram acordando e eu fui dando água e banana e fomos papeando de como estávamos felizes). Eu e bff terminamos os salgadinhos, começamos e acabamos uma das caixas de Ferrero Rocher, bebemos o resto de guaraná, assistimos Project Runway e de noitinha pedimos chinês. De noite, quando ela se foi, me deixou na minha prima, porque eu não ia aguentar uma noite naquela imundície. No domingo, depois de momentos de paz e Phoboslab: Z-Type, almocei deliciosa comida caseira e telefonei para minha mãe. Ela tinha acabado de sair de Guaramiranga. Eu tinha que sair JÁ da casa da minha prima e continuar JÁ a limpeza.
Eu nem tinha tocado no quarto da minha mãe. Era bolo, eram estrelas, papel crepom do presente da Contém 1g, sujeirasujeirasujeira. Varri tudo e o resto da casa mais uma vez, passei pano em todos os quartos e estava lavando a louça quando ela chegou. Mami me ajudou a finalizar a cozinha e a sala, a colocar os móveis no lugar rotineiro e organizar o que ia pra reciclagem, o que ia pro lixo, o que continuava na geladeira. Tirei as fitas gomadas que estavam sozinhas do teto, mas deixei os balões que se aguentavam grudados. Nós duas concordamos que foi maravilhoso, mas que outra dessas, nunca mais. Meus joelhos, meus pés, minhas coxas, minhas mãos, minhas costas e meu cabelo que o digam. Em certo momento da festa, Carol acariciou minha juba.
- Tu não passa creme no cabelo não?!
- Passo, né, Carol, mas depois de 4 horas de festafestafesta fica difícil encontrar algum rastro dele.
A noite foi tão maravilhosa que mal consegui estudar Eletromagnetismo ou mesmo me preocupar com a proximidade da prova, com todas as sensações ainda reverberando dentro de mim. Se eu abrir um pouco o coração e fechar os olhos da realidade, consigo fazer minha casa voltar a ser o que foi naquela noite, com uma luz fraca mas colorida, rosa por toda parte, músicamúsica e ainda por cima cheio de amor por meus amigos, consigo recuperar a atmosfera e mal me aguento de contentamento, tudo volta, a alegria, a liberdade, a loucura, a vontade de dançar e abraçar, girar, pular, gritar, toda a felicidade me completa. Foi uma noite maravilhosa, que me deixou mais de bem com a vida do que nunca. Estou cheia de amor por todos que compareceram, sinto nossos corações mais próximos e não entendo porque a vida tem que voltar ao ritmo normal. É simplesmente triste que o tempo passe, a prova de Eletromagnetismo puxou meus pés bem forte pro chão e estou aqui, já normal. Saudade dos dias de nirvana... Se eu pudesse entrar num loop daquela noite... eu acho que entraria.

5 comentários:

Irena disse...

Jana, esse post foi tão maravilhoso! Sua festa parece ter sido tão maravilhosa! Parece ter sido tudo tão, mas tão divertido! Queria ter estado presente.
Acho lindo seu amor por aniversários porque é algo que eu particularmente não consigo entender (sempre fico muito triste e pensativa nos meus, nunca consigo me divertir). Por isso acho lindo ler sobre sua paixão em ser aniversariante.

Anna Vitória disse...

Jana, que DELÍCIA de post! Deu uma vontade enorme de ter estado aí com você e de fazer umas loucuras assim no meu aniversário - que eu confesso que nunca me deixa empolgada festafestafesta como acontece com você.
Tudo pareceu maravilhoso, feliz e animado, deu até vontade de sair dançando.
beijo

Gabriela disse...

Jana, amei ler esse post. Que delícia. Adoro vir aqui. Sempre leio coisas legais, aprendo a olhar certas situações de outra forma... Adoro seu blog.

Olha, esse ano tb fiz 20 anos. E ao contrário de vc, nunca fui de fazer festas. Já cheguei a reunir alguns amigos pra ir em algum restaurante... Mas nunca deu muito certo, então acabei largando de mão.

Com o tempo passei a receber menos ligações e sms, só da minha tia querida e minha avós. Sem contar uma melhor amiga que sempre lembra de mim.

Esse ano meu aniversário caiu em um sábado. Foi mais um dia comum mas cheio de "parabéns!", presentes e jantar maravilhoso.

Fazer aniversário é sempre bom.

Ellen disse...

Nunca gostei de fazer festas (talvez por ter vergonha de ser o centro das atenções), e levo meu aniversário como um dia comum, apesar de achar sempre bom receber o carinho das pessoas que realmente se importam com a data.
Mas achei seu post incrível, você descreveu tudo com uma animação linda!

E...bem, você deve lembrar de mim pelo Zarnillian. É que depois de tanto tempo, resolvi recomeçar com um outro blog. E devo dizer, seus posts continuam um amor!

Luisa Pinheiro disse...

Como as meninas falaram, esse post tá delicioso mesmo! Poxa, meus aniversários são sempre tão iguais uns aos outros, sem nada muito novo... queria um dia desses. Mas também fico muito triste e pensativa a semana inteira do meu aniversário, inferno astral funciona comigo!